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“Pedro disse:
- Disciplina rapaz!
O filho olhou, quietou, caiu lágrimas...
E nunca mais o filho de Pedro foi o mesmo.”
Se Pedro fosse brasileiro nosso país seria melhor?
Os filhos da disciplina constroem obras grandiosas. Tal processo de realidade, de postergar o prazer iminente, é porque sabemos, pela experiência, que o prazer futuro é sempre melhor construído, mais calmo, mais certeiro, mais vivo, mais forte. Que a realidade, a esperança, o esperar, no construir, no trabalhar, no estudar, no criar, dará bons frutos. E é de bons frutos que o brasileiro precisa. De João de Barro pedreiro, de Manuel da Saúde médico, de José de Oliveira agricultor que o povo precisa. Precisamente o que a nossa disciplina precisa. Ficar deitado numa rede comendo cajus esperando tornar-se Ursa Maior e que um papagaio ridículo conte sua história de preguiça a outrem, isso é foda! Não se esqueça: quem conta a história de preguiça do povo brasileiro não é preguiçoso, preguiçoso é aquele que, escutando, permanece deitado pra sempre comendo cajus, numa rede. A disciplina é o seu revés, é plantar, construir, renovar.
Escrito por Marcio Benito às 16h46
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Abaixo segue o pensamento que tive numa terça-feira, dentro de uma biblioteca, sentado, com livros postos à minha frente e pedindo para serem lidos.
O tédio e o estímulo para sua libertação.
O tédio é um parasita preguiçoso, um orgânico que corrói o nosso tempo de dentro, sem nos deixar ao menos um esboço de alegria. É como um relógio sem andamento, sempre e continuamente parado. Assim, numa mistura de lassidão entre o que é de fora e o que é de dentro, a alma engole toda a possível alegria de fora e a transforma, eternamente, na mesmice depressiva do dentro. O tédio simula, deste jeito, um desespero infinito naquilo que sabemos finito, envelhecendo o nosso tempo de percepção. É como um espaço maior, vazio, pedra mesmo, sentido num corpo que prometera a si próprio ser turbulento. Ou como um dicionário isolado numa estante: há milhares possibilidades de atuação, mas quando reverbera é somente um ínfimo, um átomo que se agita diante dos outros milhares vazios, ocos e sem sentido, sozinhos e estátuas, como quadros envelhecidos em folhas de papel. O tédio, assim, em sua tinta, é sifilítico... e cancerígeno para a loucura do espaço da alma. Penetra vagarosamente o “ser” até torná-lo poluído de sensação de nada, de perda, de falta de poder, de mesmice, de sem expressão. Ele faz a mente prorrogar a própria realidade, como se a preguiça fosse a salvação para o nosso instinto de prazer, como se os livros, as folhas, as linhas, as palavras e as letras fossem suficientes para abastecer o que o de dentro pede. Mas não o consegue justamente pela falta de conteúdo e significado. O tédio é a falta de significado tentando significar-se. Paradoxo, por isso, mas particularmente oco. É um eterno átimo desesperado e pronto a abandonar-se em suicídio a qualquer momento. Kierkegaard foi um grande tedioso, e por isso desesperou-se e cometeu suicídio. Burrice! A morte é fuga e não é isso que o inconsciente do tédio (ou seja, o seu contrário) quer, mas sim sua própria libertação, libertar-se desse tempo vazio e sem sentido, para criar estímulos para a alma, para levá-la à vida, ao tempo sentido, ao significado, ao relógio que anda e ao prazer de verdade. E o melhor estímulo para a alma é o amor!
Escrito por Marcio Benito às 11h49
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