Esboço de estupidez filosófica
A verdade é apenas uma idéia? Se assim for (e aqui me utilizo de um caráter redutivo apenas para explicação), podemos dizer que somente há dois tipos de pessoas, as que mentem e as que não dizem a verdade. Tal fato é realmente cômico e deveria estar postulado como fala de um personagem de Molière.
Para contrabalançar tal questão creio que o silêncio (e talvez a poesia) poderia ser o único comportamento a chegar mais próximo da verdade; desta forma o silêncio seria merecido e a volaticidade seria um defeito.
E aí me perguntam: “Afinal, que tipo de João da Ega bêbado à la Espanha é você? Tão psicólogo, tão letrado... não fosse pela estupidez...”
Poderia responder: “Se você não me crê, isso é uma questão sua!”, mas não respondo assim por realmente suspeitar naquilo que me disseram.
Pois a verdade parece ser um conceito, tal qual a maioria, que nos escapa de conclusões. “E se ela nos escapa, ela existe? E a mentira também não é apenas um conceito?”. Talvez haja uma ligação entre o silêncio e a poesia, de modo que tudo aquilo que aparenta estar mais próximo da inconsciência seja mais verdadeiro do que os conteúdos conscientes. Isso é coisa de filósofos e de psicanalistas que sempre estão aptos a querer te convencer de coisas estranhas. Ou então pode aparecer um fenomenólogo e dizer: “Muita coisa parece ser o que não é e você tem sapiência plena para concluir isso por si só”. Tais escolas somente bastam por si próprias, naquilo que elas hão de ser mais individuais e, por isso mesmo, talvez mais longíquas da verdade. Porque, oras, como poderia uma pessoa humana captar a verdade pela consciência, ou pela lógica? Tais tentativas já ocorreram e provaram a incapacidade humana de chegar a ser deus.
É como me disse uma mulher um dia: “Que diferença faço eu ou a Afonsine de Paris?”
Escrito por Marcio Benito às 15h48
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