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Pergunta:
Algum leitor deste blog pode me dizer qual a razão de algumas pessoas escreverem que algo é ‘profundo’ e que a questão tratada tem caráter ‘subjetivo’?
O que isto significa? Será que é leviandade? Ou será apenas um código alienígena?
Me parece uma maneira de tentar ‘transparecer’ conhecimento, sem o ter.
Será burla? Preguiça?
Leitor, deixe sua opinião.
PS: se quiser pode escrever que a questão é muito profunda e que o seu lado subjetivo não permite responder à questão.
Escrito por Marcio Benito às 17h43
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Pequeno problema sobre a questão da poesia
Estou desacreditado do poder da poesia. Cria-se imagens e nada se resolve. Cadê o ímpeto das resoluções? A poesia não soluciona, a poesia apenas transparece um outro aspecto do problema. Que problema? A angústia existencial do homem é realmente um problema, mas a poesia não soluciona. A angústia existencial do ser humano está ligada, indubitavelmente, à questão do amor. E o amor é a mais preocupante das alegorias sociais. O amor se define, pela existência de uma outra pessoa. O eu não existe sem definições dadas por um sistema, o mesmo sistema que é tudo aquilo que não seja eu, ou seja, um outro. Pois o verbo ser traz diversas acepções por ser a palavra mais próxima do caráter existencial, do caráter da angústia. A poesia nada mais é do que a vontade de todo o léxico por abarcar o significado que a palavra ser contém, mesmo que esta palavra abarque apenas uma parte daquilo que nos é dado em vida, daquilo que o tempo nos remete. E do ser vemos a angústia, e do tempo vemos abstrações. A leitura da poesia é talvez a ligação do esclarecimento dos obscuros com e pela passagem do tempo. Mas tempo está ligado à morte, no que se refere à abstração de nossas experiências. Portanto percepção do tempo traz também angústia existencial. Por isso, o amor é a salvação do homem, porque o amor nos faz esquecer do tempo. E pra que serve então a poesia? Serve apenas para indicar nossa angústia existencial? Não! Definitivamente não! Já disse que a poesia serve apenas para transparecer outros aspectos do problema. Sorte a nossa que a poesia, ainda, serve para galanteios. Apesar de estar desacreditado de seu poder, ainda há esperanças.
Escrito por Marcio Benito às 16h29
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