AMARELOECONTOS


Cachos

Os parafusos fundem os liames do amor. Torna de novo, redondo, caindo bonitos sobre os pomos. E assim faz da vontade o opérculo da minha alma. Os fios volvendo oriundos do brio airoso – ah! como amo! Os cachos movendo ovalados em halos fibrosos, filiformes ondulantes a formar o conjunto do que amo! Os anéis cercam, rodeiam, circundam os meus olhos, e fazem fluir afluxos os desejos, os apegos intuitivos que são mares de amor. Aos meus extremos sensitivos os cachos remam a conduzir em ondas e fazer luzir em sondas e iluminar minhas retinas da sua morena e felina cor. Correm e escorrem os encaracolados nos seus seios e assim percorrem multiformes os meus anseios, aos meus anseios do seu amor. Em giros tranqüilos crescem, descem os seus pêlos, e respondem “sim” aos meus apelos: Quero vê-los arqueados e abaulados! Olhar o circular dos capilares e mantê-los! Redondo, torna de novo, caindo sobre os pomos, escorrendo, gira, flui ondulante, circula, curva, cacheia, cacheia, mais...



 Escrito por Marcio Benito às 21h03
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Convalescença

A cura do orgânico se faz sentir

 Escrito por Marcio Benito às 00h50
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Ten-di-ni-te

Dói!

como dó-

escrev

mas prec   ,

é vit   ,  

é inút  ,

dó-

pouc letr já me bast .

H20

fri

pra

des in fl mar.

Co dó-!



 Escrito por Marcio Benito às 19h10
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Eu e a Sandra, na comemoração do dia das crianças. Onde é? Não importa. Nós dois somos a nossa casa!



 Escrito por Marcio Benito às 18h08
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.

“Pedro disse:

- Disciplina rapaz!

O filho olhou, quietou, caiu lágrimas...

E nunca mais o filho de Pedro foi o mesmo.”

 

Se Pedro fosse brasileiro nosso país seria melhor?

Os filhos da disciplina constroem obras grandiosas. Tal processo de realidade, de postergar o prazer iminente, é porque sabemos, pela experiência, que o prazer futuro é sempre melhor construído, mais calmo, mais certeiro, mais vivo, mais forte. Que a realidade, a esperança, o esperar, no construir, no trabalhar, no estudar, no criar, dará bons frutos. E é de bons frutos que o brasileiro precisa. De João de Barro pedreiro, de Manuel da Saúde médico, de José de Oliveira agricultor que o povo precisa. Precisamente o que a nossa disciplina precisa. Ficar deitado numa rede comendo cajus esperando tornar-se Ursa Maior e que um papagaio ridículo conte sua história de preguiça a outrem, isso é foda! Não se esqueça: quem conta a história de preguiça do povo brasileiro não é preguiçoso, preguiçoso é aquele que, escutando, permanece deitado pra sempre comendo cajus, numa rede. A disciplina é o seu revés, é plantar, construir, renovar.



 Escrito por Marcio Benito às 16h46
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.

                       

Abaixo segue o pensamento que tive numa terça-feira, dentro de uma biblioteca, sentado, com livros postos à minha frente e pedindo para serem lidos.

 

O tédio e o estímulo para sua libertação.

 

O tédio é um parasita preguiçoso, um orgânico que corrói o nosso tempo de dentro, sem nos deixar ao menos um esboço de alegria. É como um relógio sem andamento, sempre e continuamente parado. Assim, numa mistura de lassidão entre o que é de fora e o que é de dentro, a alma engole toda a possível alegria de fora e a transforma, eternamente, na mesmice depressiva do dentro. O tédio simula, deste jeito, um desespero infinito naquilo que sabemos finito, envelhecendo o nosso tempo de percepção. É como um espaço maior, vazio, pedra mesmo, sentido num corpo que prometera a si próprio ser turbulento. Ou como um dicionário isolado numa estante: há milhares possibilidades de atuação, mas quando reverbera é somente um ínfimo, um átomo que se agita diante dos outros milhares vazios, ocos e sem sentido, sozinhos e estátuas, como quadros envelhecidos em folhas de papel. O tédio, assim, em sua tinta, é sifilítico... e cancerígeno para a loucura do espaço da alma. Penetra vagarosamente o “ser” até torná-lo poluído de sensação de nada, de perda, de falta de poder, de mesmice, de sem expressão. Ele faz a mente prorrogar a própria realidade, como se a preguiça fosse a salvação para o nosso instinto de prazer, como se os livros, as folhas, as linhas, as palavras e as letras fossem suficientes para abastecer o que o de dentro pede. Mas não o consegue justamente pela falta de conteúdo e significado. O tédio é a falta de significado tentando significar-se. Paradoxo, por isso, mas particularmente oco. É um eterno átimo desesperado e pronto a abandonar-se em suicídio a qualquer momento. Kierkegaard foi um grande tedioso, e por isso desesperou-se e cometeu suicídio. Burrice! A morte é fuga e não é isso que o inconsciente do tédio (ou seja, o seu contrário) quer, mas sim sua própria libertação, libertar-se desse tempo vazio e sem sentido, para criar estímulos para a alma, para levá-la à vida, ao tempo sentido, ao significado, ao relógio que anda e ao prazer de verdade. E o melhor estímulo para a alma é o amor!



 Escrito por Marcio Benito às 11h49
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...

O teclado do computador gagueja, tropeça, belisca...

E o indivíduo que está sentado na frente da tela é um completo

i-di-o-ta:

não sabe escrever no português culto,

as sintaxes são medíocres,

o trabalho de literatura brasileira, a resenha não pronta

mas tudo é como

não obstante não sabe mesmo

e o que seria...

o indivíduo está ficando esquizofrênico...



 Escrito por Marcio Benito às 00h09
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isto não é poesia e nem é prosa, é apenas o que me veio...

Domingo, 8 de agosto de 2004, depois de acontecimentos extraordinários nos dois dias anteriores (um de bebida e outro de renovação dos luteranos) escrevo:

 

Silêncio...

Saúdo a saudades...

E descarto as bolachas!

 

Do sábado,

o sol nascendo:

Café da manhã com gosto de alívio

e de não ter perdido a voz dela no telefone.

 

Um amigo bebera debasiabamente

e bobo bigou babando balabras sujas.

 

Neste dia,

em noite já cheia:

seis coleguinhas de classe,

já adultos,

já formados,

lembrando dos tempos ingênuos e rindo carinhosamente rindo,

sorrindo.

 

Saúdo dois tempos:

Dois assuntos solucionados!



 Escrito por Marcio Benito às 23h01
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Manuel

Olha só o que uma leitura libertina pode fazer com uma pessoa. Pode torná-la estupidamente imitativa! Hoje eu sou estupidamente libertino e imitativo...dessas bandeiras tão comuns. 

 

              Caixa-Verde 22

 

Era como uma caixinha de fósforos.

Se lhe agitavam se remexia como mucaxixi.

Pra sair em sambinha

Pra agir nas inversões morais.

 

Era pequenino.

 

Uma provocação

Faísca que fosse

E se desmaterializava

Odiosamente

Contra o externo, contra a provocação.

 

Teimoso como se fosse molhado

Como se impedisse a si mesmo

Sua consumação

 

Era quadrado.

 

Simpatia áspera e base ociosa

Pregui...

 

Esperava os atos alheios

Corriqueiros

Demasiadamente cotidianos:

Chatos.

 

enfim:

Bem brasileiro.

Guarani.

Tupiniquim.



 Escrito por Marcio Benito às 14h50
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RECOMEÇO ACADÊMICO

Depois de quase dois meses de greve, enfim parece que a Usp voltará a funcionar. Isso graças ao acréscimo exacerbado de 2%!!! conseguidos ontem, segunda-feira à noite, em reunião na Unicamp. É motivo de piada, sabemos, mas a volta às atividades normais parece ser mais uma necessidade urgente com o ano letivo, do que à satisfação dos funcionários por tal decisão. Como os alunos de lá bem sabem, a Usp foi construída com moldes europeus, principalmente franceses (não à toa a arquitetura da Letras, que pode servir para todo tipo de atividade institucional, desde hospital psiquiátrico até albergue), tanto em sua arquitetura como nas idéias. Vivas à Revolução Francesa. Aliás, cada vez mais há a impressão de que a Usp é mesmo européia, pois dá a entender que o período de férias vai de Junho ao final de Julho, como acontece durante o verão europeu. E depois a reposição... Repor o tempo perdido, as aulas perdidas. Tudo de maneira comprimida, ansiosa e urgente. Deve ser também por isso que a Usp é bem vista em termos acadêmicos, porque para retomar as atividades de tal maneira, só mesmo graças à qualidade organizacional dos professores e alunos. Pra conseguir dar conta de tudo tem que ser ligeiro e esperto. Vivas ao nosso jeitinho brasileiro. Semana que vem, com certeza, recomeça!

 Escrito por Marcio Benito às 15h35
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Esboço de estupidez filosófica

 

A verdade é apenas uma idéia? Se assim for (e aqui me utilizo de um caráter redutivo apenas para explicação), podemos dizer que somente há dois tipos de pessoas, as que mentem e as que não dizem a verdade. Tal fato é realmente cômico e deveria estar postulado como fala de um personagem de Molière.

Para contrabalançar tal questão creio que o silêncio (e talvez a poesia) poderia ser o único comportamento a chegar mais próximo da verdade; desta forma o silêncio seria merecido e a volaticidade seria um defeito.

E aí me perguntam: “Afinal, que tipo de João da Ega bêbado à la Espanha é você? Tão psicólogo, tão letrado... não fosse pela estupidez...”

Poderia responder: “Se você não me crê, isso é uma questão sua!”, mas não respondo assim por realmente suspeitar naquilo que me disseram.

Pois a verdade parece ser um conceito, tal qual a maioria, que nos escapa de conclusões. “E se ela nos escapa, ela existe? E a mentira também não é apenas um conceito?”. Talvez haja uma ligação entre o silêncio e a poesia, de modo que tudo aquilo que aparenta estar mais próximo da inconsciência seja mais verdadeiro do que os conteúdos conscientes. Isso é coisa de filósofos e de psicanalistas que sempre estão aptos a querer te convencer de coisas estranhas. Ou então pode aparecer um fenomenólogo e dizer: “Muita coisa parece ser o que não é e você tem sapiência plena para concluir isso por si só”. Tais escolas somente bastam por si próprias, naquilo que elas hão de ser mais individuais e, por isso mesmo, talvez mais longíquas da verdade. Porque, oras, como poderia uma pessoa humana captar a verdade pela consciência, ou pela lógica? Tais tentativas já ocorreram e provaram a incapacidade humana de chegar a ser deus.

É como me disse uma mulher um dia: “Que diferença faço eu ou a Afonsine de Paris?”



 Escrito por Marcio Benito às 15h48
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Hoje remexi em alguns arquivos de gaveta e olha só o que encontrei. Um poema feito por um esquizofrênico em 1999, o qual me foi dado como presente por ter visitado a instituição da Água Funda. Alguém poderia verificar se há algum dado que realmente comprove, por este escrito, a sua condição patológica?

 

Diletante em busca do ouro com ajuda de uma fada.

 

Objeto azul luminoso,

meu passo pequeno

abraça, no caminho(,)

o real prospectivo,

indutivo, descontrolado.

(Tesouro de ouro escondido.)

Minha fada dileta,

direção,

minha Eva,

erva escassa e daninha,

leva-me ao ouro:

“Leva-me, azulzinha,

leva-me ao ouro!.”

 

“Leva-me azul luminosa”

Passo pequeno

e objeto no caminho meu;

o real prospectivo abraça

descontrolado.

(de ouro escondido indutivo)

Minha fada dileta,

Tesouro,

minha Eva,

escassa e daninha;

direção ao ouro.

Erva azulzinha:

“Leva-me ao ouro!

Leva-me!”

 

Azulzinha azul luminosa,

pequeno objeto que leva

no caminho meu passo

prospectivo, abraça

descontrolado o real

(escondido.) indutivo.

Minha fada dileta,

Tesouro de ouro,

Eva,

e daninha,

a direção minha

ao ouro;

Erva escassa:

“Leva-me

ao ouro.

Leva-me.”

 

Ass: João Estômago Rico 



 Escrito por Marcio Benito às 23h01
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Quantos espectros contém a personalidade de um homem?

Não sei, sou tão leigo quanto a isso que só me arrisco a dizer que deve ser, ao menos, o mesmo número da quantidade de sinapses possíveis.

Mas dentre eles há dois que me cutucam e incomodam de maneira a formar algumas bolhas aqui dentro: a vaidade e o nojo. Estariam estes interligados em algum ponto?

 

A vaidade me parece como um anel elástico em volta do homem: se você a pressiona ela te dá um tabefe, um bofetão. É como se fosse um orgulho manipulado para um altruísmo mentiroso e mascarado, no qual o fundo seria, necessariamente, egoísmo e egocentrismo. Ela está vestida de uma contradição entre o ser mesmo e o ser social. Pra mim a vaidade é o creme do narcisismo, aquilo que reveste a nossa pele de um algo projetado, que não somos, mas somos por convenção.- Ora, se o excesso de creme dá nojo, eu estaria agora com nojo de mim mesmo. Nojo dessa minha vaidade que me escapou por tanto tempo.- Essa camada licorosa e gosmenta me lembra um corpo morto em que as células ainda lutam por vida, mas em vão. Ouso mesmo dizer que muitos se enganam quando pensam que a vaidade apenas se mostra através da pele externa. Ela está num corte mais fundo, daqueles que deixam cicatrizes para o resto da vida. É verdade que uma cicatriz de infância pode desencadear o problema. Imagine um rosto de uma criança linda, a mais bonita; depois uma brincadeira negligente, um acidente e aí está a vaidade externa perturbada. Agora imagine uma criança ser-humano, a ‘mais sorriso’; depois um acontecimento emocional grave e daí o desenvolvimento de um tipo problemático de vaidade interna.

 

Quem diz não ter vaidade é mentiroso; e se a mentira for também excesso de creme isso me dá mais nojo. Digo com toda certeza de causa: um corte no rosto pode doer menos do que uma ferida metafórica, justamente porque esta é interna. O caminho, talvez, para o saboroso é deixá-la afrouxar.



 Escrito por Marcio Benito às 19h37
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(Obs: os dois últimos posts são um só)

--------Preces---------

 

Senhor,

cadê o meu santuário,

no qual estaria a imagem

dela?

Perdeu-se nas rezas?

Em liturgias de abismos?

Seu corpo e sangue

é tudo o que penso;

e não em

eucaristia.

Não!

Seu templo é a minha

                                   coroa;

                                       e

     minhas mãos, já estão cravadas, as mãos minhas

                                  e o corpo

                                      só,

                                       e

                                   os pés.

Meu templo pregado

em vontades, desejos e imagens.

Meu tempo presente

de angústia, de angústia.



 Escrito por Marcio Benito às 22h19
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(continuação)

Senhor,

cadê o meu livre-arbítrio,

se não me vejo livre

desta imagem?

Escondeu-se em correntes?

Em culpas de não-atos?

Sua boca e beijo

é tudo o que quero;

e não as

promessas.

Sim!

Seu pecado é a minha

fé;

e

          suas

                               alegrias;

gozo com suas satanices, ah gozo

                                   vem

                                  maçã...

Mas que digo

em fantasias, maravilhas e miragens?

Mas qual sinto:

vã luxúria, espúria...

 

Senhor,

escuta-me:

por quê não atendes as minhas?



 Escrito por Marcio Benito às 22h19
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